Fabulinha do pssaro novo. Do seu ar e seu ninho


Sua chegada no mato novo
fez dele pssaro esquisito
desconhecedor da envergadura
de suas asas.

Voava louco sem pousar nos galhos frgeis
da floresta meio encantada
bebia deles meras gotas
de um orvalho doce que amarra a boca
dormia voando
sem bicar o sonho nem
olhar para o cu.

Com as revoadas dos parentes alados
que vieram por sua jornada
acordava assustado gritando cantos sem
olhar para o cho.

Depois de tanto olhar para o lado
calculando errado o comprimento de seu vo
depois de tantas quedas livres
pelas cibras estranhas no medo das asas
tanto cair
tanto soltar-se
quanto sustentar-se

Reconhece o que sua volta
dava-lhe fora, dava-lhe a segurana
da qual quase sempre largava-se
por olhar para o lado e
no para o cho
pelo receio de quebrar os galhos e
olhar para o cu.

Numa manobra brusca
no desviar-se do medo
o bico fura o peito e
pelo buraco entra vento
entra o ar sua volta
recheia de carinho
tempera de perdo

e serve num caldo grosso de amor
amor passarinho.